
IRONMAN
BRASIL 2025
Valdeci Pedroso
A construção de 22 semanas em um só lugar
Ele corria desde 2014. Já tinha provas de endurance no corpo, quilômetros suficientes pra saber o que o esporte cobra e o que devolve. Mas o Ironman era outra coisa — era o ponto onde tudo que ele já tinha feito virava preparação pra algo que ainda não conhecia.
A decisão não veio de um impulso. Veio de anos observando gente do triathlon, imaginando que ele também seria capaz, e da convicção de que ia se transformar — não só fisicamente, mas no jeito de encarar o que parecia fora de alcance.
A esposa acreditou antes mesmo de ele ter certeza. Deu confiança, deu espaço, disse sim pra um projeto que ia custar manhãs, finais de semana, meses inteiros de rotina reorganizada. Quando o irmão (Valdir) presenteou a inscrição, o sonho deixou de ser abstrato. Virou compromisso com as pessoas que apostaram nele.
Em janeiro de 2025, o ciclo começou discreto: três dias de treino, onze quilômetros, três horas na primeira semana. Não porque faltasse experiência — mas porque o corpo precisava de um ponto de partida novo pra um projeto de escala nova.
O que esperava sentir na linha de chegada não era alívio. Era o reconhecimento de que a pessoa que cruzasse aquela linha seria outra — mais resistente, capaz de ver a vida com outros olhos.
“Eu ia me transformar, fisicamente e psicologicamente pra conquistar um Ironman.”

Tudo começou pelo excesso. Nas primeiras semanas, ele pedalou mil quilômetros em dez dias — um bloco de base que não tinha nada de cauteloso. Foi brutal e foi transformador. O corpo ainda não sabia o que viria, mas a partir dali entendeu que o projeto era sério.
Ao longo de vinte e duas semanas, acumulou 259 atividades: quase 5.100 quilômetros de bike, 889 de corrida, 119 de natação, mais de trezentas horas de treino distribuídas entre piscina, asfalto, rolo e academia. O volume foi subindo como maré — de semanas de dez horas para semanas que passavam de dezessete, dezoito. Nada disso foi acaso: por trás de cada semana havia o planejamento do treinador Balta (@baltanp), que puxou a régua lá em cima e não deixou o ciclo ser confortável.
A estrutura da equipe @newpaceassessoria sustentava o processo — os simulados, o acompanhamento, a calibragem fina que transforma volume bruto em preparação de verdade.
Em abril, veio a prova na distância meio Ironman — e ele não fez sozinho. O irmão (Valdir) estava ao lado, de ponta a ponta: na água, no pedal, na corrida. Foram cinco horas e vinte e um minutos, 114 quilômetros divididos entre os dois. Não era o dia principal, mas serviu como régua e como memória: o ritmo existia, e o irmão (Valdir) que tinha dado a inscrição agora dividia o asfalto.
O treino que mudou a chave foi o brick — o maior pedal do ciclo seguido de uma corrida pesada, tudo no mesmo dia. Foram seis horas e meia de esforço contínuo. Ali, com o Marcus (@Marcuspovoa) ao lado — uma referência no triathlon que virou amigo de verdade — a confiança apareceu de um jeito que não voltou mais embora. O sentimento de que seria possível deixou de ser esperança e virou clareza.
Na semana pico, entre 5 e 11 de maio, ele treinou todos os sete dias e acumulou vinte e cinco horas e quinhentos e setenta quilômetros. Era o teto do que o ciclo exigiria dele.
“Ali foi onde a confiança começou a aparecer e o sentimento de que seria possível se tornar mais claro.”
Desistir nunca foi uma opção real. Mas houve momentos em que a pergunta mudou de forma — deixou de ser “será que consigo?” e virou “o que é que eu estou fazendo aqui?”. Foi no pico do treino que isso bateu mais forte: correr mais de trinta e quatro quilômetros na sexta, longão de natação no sábado, pedal longo no domingo. O corpo implorava descanso.
O que sustentou não foi motivação — foi gente. O Marcus (@Marcuspovoa), com a experiência de quem já tinha passado por aquilo, transmitia uma confiança que não precisava de discurso. O treinador Balta (@baltanp) mantinha o plano firme mesmo quando o corpo pedia recuo. E em casa, a esposa segurava o que o treino desmontava: cada manhã que ele saía antes do sol, cada final de semana que ele passava ausente, ela estava lá — paciente, firme, acreditando. Sem ela, tudo teria sido muito mais difícil.
Porque ninguém faz isso sozinho. Ele sabia — e a preparação reforçou — que a inscrição veio do irmão, que o tempo veio de concessões da família, que a estrutura veio de pessoas que acreditaram junto. A vida fora do esporte mudou: ficou mais apertada, mais negociada, mas também mais clara sobre o que importava.
“O corpo implorava descanso.”

Splits da Prova
Primeiro de junho de 2025. Dez horas, treze minutos e quarenta e oito segundos entre a largada e a linha de chegada. Duzentos e vinte e sete quilômetros percorridos com o próprio corpo — o resultado de vinte e duas semanas construídas pra aquele dia.
A água veio primeiro: 3,8 quilômetros em uma hora e vinte e um minutos. Depois, o pedal — 181 quilômetros a uma média de 36 km/h, cinco horas em cima da bike com o coração batendo a 156. E então a maratona, a parte que o corpo já conhecia como exaustão: 42 quilômetros a um pace de 5:19, três horas e quarenta e quatro minutos onde cada quilômetro pesava mais que o anterior.
Cruzar aquela linha foi como chegar ao final de um filme onde ele era o protagonista. Não o tipo de protagonista de pôster — o tipo que passou meses acordando cedo, negociando tempo, duvidando em silêncio e seguindo mesmo assim. E lá, do outro lado, a família estava esperando, comemorando, lembrando de tudo que ele quase não aguentou.
“Cruzar a linha de chegada é como se colocar no final de um filme onde você é o protagonista.”
Ele guarda praticamente tudo daquele ciclo. Mas o que não tem preço — e ele sabe disso — é a carta que o irmão escreveu junto com o valor da inscrição. Não é um registro de treino. É a prova de que o sonho nunca foi só dele.
Vinte e duas semanas, duzentas e cinquenta e nove atividades, mais de seis mil quilômetros entre três modalidades. Os números existem, estão gravados em cada arquivo do Strava. Mas o que ficou de verdade não cabe em planilha: é a certeza de que a transformação aconteceu — não apesar da dificuldade, mas por causa de tudo que ela exigiu.
O que a jornada ensinou foi simples e difícil ao mesmo tempo: o sonho é de uma pessoa, mas o objetivo nunca se alcança sozinho. Todo o esforço físico e mental foi dele — cada pedalada, cada braçada, cada quilômetro de asfalto. Mas a razão de ter chegado até o fim estava na esposa que abriu mão de manhãs e finais de semana sem cobrar, no irmão que transformou um presente em pacto, no treinador Balta (@baltanp) que nunca deixou a régua baixar, na equipe @newpaceassessoria que deu estrutura ao sonho, e no Marcus (@Marcuspovoa) que virou amigo no caminho.
“O sonho é de uma pessoa, mas o objetivo nunca é alcançado sozinho.”
A linha de chegada dura segundos. A jornada levou meses.
E agora ela está aqui — registrada, inteira, sua.

Quer eternizar sua jornada?
Crie seu Season Report →“A jornada até a linha de chegada foi mais transformadora do que cruzá-la. Cada treino era uma conversa comigo mesmo — sobre limites, consistência e o que eu realmente queria provar.”
— Valdeci Pedroso





Percurso da corrida
Os dados contam histórias.
Qual é a sua?
Esta história foi gerada a partir de
259 treinos registrados no Strava
e 8 perguntas respondidas pelo atleta.
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