Ironman Brasil 2025
Season Report

IRONMAN
BRASIL 2025

Valdeci Pedroso

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A Jornada em Números
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Semana a Semana

A construção de 22 semanas em um só lugar

half
pico
prova
Jan 2025Jun 2025
IO Chamado

Ele corria desde 2014. Já tinha provas de endurance no corpo, quilômetros suficientes pra saber o que o esporte cobra e o que devolve. Mas o Ironman era outra coisa — era o ponto onde tudo que ele já tinha feito virava preparação pra algo que ainda não conhecia.

A decisão não veio de um impulso. Veio de anos observando gente do triathlon, imaginando que ele também seria capaz, e da convicção de que ia se transformar — não só fisicamente, mas no jeito de encarar o que parecia fora de alcance.

A esposa acreditou antes mesmo de ele ter certeza. Deu confiança, deu espaço, disse sim pra um projeto que ia custar manhãs, finais de semana, meses inteiros de rotina reorganizada. Quando o irmão (Valdir) presenteou a inscrição, o sonho deixou de ser abstrato. Virou compromisso com as pessoas que apostaram nele.

Em janeiro de 2025, o ciclo começou discreto: três dias de treino, onze quilômetros, três horas na primeira semana. Não porque faltasse experiência — mas porque o corpo precisava de um ponto de partida novo pra um projeto de escala nova.

O que esperava sentir na linha de chegada não era alívio. Era o reconhecimento de que a pessoa que cruzasse aquela linha seria outra — mais resistente, capaz de ver a vida com outros olhos.

“Eu ia me transformar, fisicamente e psicologicamente pra conquistar um Ironman.”
Primeiros simulados
IIA Preparação

Tudo começou pelo excesso. Nas primeiras semanas, ele pedalou mil quilômetros em dez dias — um bloco de base que não tinha nada de cauteloso. Foi brutal e foi transformador. O corpo ainda não sabia o que viria, mas a partir dali entendeu que o projeto era sério.

Ao longo de vinte e duas semanas, acumulou 259 atividades: quase 5.100 quilômetros de bike, 889 de corrida, 119 de natação, mais de trezentas horas de treino distribuídas entre piscina, asfalto, rolo e academia. O volume foi subindo como maré — de semanas de dez horas para semanas que passavam de dezessete, dezoito. Nada disso foi acaso: por trás de cada semana havia o planejamento do treinador Balta (@baltanp), que puxou a régua lá em cima e não deixou o ciclo ser confortável.

A estrutura da equipe @newpaceassessoria sustentava o processo — os simulados, o acompanhamento, a calibragem fina que transforma volume bruto em preparação de verdade.

Em abril, veio a prova na distância meio Ironman — e ele não fez sozinho. O irmão (Valdir) estava ao lado, de ponta a ponta: na água, no pedal, na corrida. Foram cinco horas e vinte e um minutos, 114 quilômetros divididos entre os dois. Não era o dia principal, mas serviu como régua e como memória: o ritmo existia, e o irmão (Valdir) que tinha dado a inscrição agora dividia o asfalto.

O treino que mudou a chave foi o brick — o maior pedal do ciclo seguido de uma corrida pesada, tudo no mesmo dia. Foram seis horas e meia de esforço contínuo. Ali, com o Marcus (@Marcuspovoa) ao lado — uma referência no triathlon que virou amigo de verdade — a confiança apareceu de um jeito que não voltou mais embora. O sentimento de que seria possível deixou de ser esperança e virou clareza.

Na semana pico, entre 5 e 11 de maio, ele treinou todos os sete dias e acumulou vinte e cinco horas e quinhentos e setenta quilômetros. Era o teto do que o ciclo exigiria dele.

“Ali foi onde a confiança começou a aparecer e o sentimento de que seria possível se tornar mais claro.”
889 kmCorrida
4.917 kmCiclismo
119 kmNatação
20h02Semana Pico
6h35Maior Dia

Desistir nunca foi uma opção real. Mas houve momentos em que a pergunta mudou de forma — deixou de ser “será que consigo?” e virou “o que é que eu estou fazendo aqui?”. Foi no pico do treino que isso bateu mais forte: correr mais de trinta e quatro quilômetros na sexta, longão de natação no sábado, pedal longo no domingo. O corpo implorava descanso.

O que sustentou não foi motivação — foi gente. O Marcus (@Marcuspovoa), com a experiência de quem já tinha passado por aquilo, transmitia uma confiança que não precisava de discurso. O treinador Balta (@baltanp) mantinha o plano firme mesmo quando o corpo pedia recuo. E em casa, a esposa segurava o que o treino desmontava: cada manhã que ele saía antes do sol, cada final de semana que ele passava ausente, ela estava lá — paciente, firme, acreditando. Sem ela, tudo teria sido muito mais difícil.

Porque ninguém faz isso sozinho. Ele sabia — e a preparação reforçou — que a inscrição veio do irmão, que o tempo veio de concessões da família, que a estrutura veio de pessoas que acreditaram junto. A vida fora do esporte mudou: ficou mais apertada, mais negociada, mas também mais clara sobre o que importava.

“O corpo implorava descanso.”
182 kmMaior Pedal
34 kmMaior Corrida
Prova de preparação
IIIA Chegada

Splits da Prova

Natação3,82 km1h22
T15:16
Ciclismo181 km5h00
T21:46
Corrida42,35 km3h45
Tempo Total10h14

Primeiro de junho de 2025. Dez horas, treze minutos e quarenta e oito segundos entre a largada e a linha de chegada. Duzentos e vinte e sete quilômetros percorridos com o próprio corpo — o resultado de vinte e duas semanas construídas pra aquele dia.

A água veio primeiro: 3,8 quilômetros em uma hora e vinte e um minutos. Depois, o pedal — 181 quilômetros a uma média de 36 km/h, cinco horas em cima da bike com o coração batendo a 156. E então a maratona, a parte que o corpo já conhecia como exaustão: 42 quilômetros a um pace de 5:19, três horas e quarenta e quatro minutos onde cada quilômetro pesava mais que o anterior.

Cruzar aquela linha foi como chegar ao final de um filme onde ele era o protagonista. Não o tipo de protagonista de pôster — o tipo que passou meses acordando cedo, negociando tempo, duvidando em silêncio e seguindo mesmo assim. E lá, do outro lado, a família estava esperando, comemorando, lembrando de tudo que ele quase não aguentou.

“Cruzar a linha de chegada é como se colocar no final de um filme onde você é o protagonista.”

Ele guarda praticamente tudo daquele ciclo. Mas o que não tem preço — e ele sabe disso — é a carta que o irmão escreveu junto com o valor da inscrição. Não é um registro de treino. É a prova de que o sonho nunca foi só dele.

Vinte e duas semanas, duzentas e cinquenta e nove atividades, mais de seis mil quilômetros entre três modalidades. Os números existem, estão gravados em cada arquivo do Strava. Mas o que ficou de verdade não cabe em planilha: é a certeza de que a transformação aconteceu — não apesar da dificuldade, mas por causa de tudo que ela exigiu.

O que a jornada ensinou foi simples e difícil ao mesmo tempo: o sonho é de uma pessoa, mas o objetivo nunca se alcança sozinho. Todo o esforço físico e mental foi dele — cada pedalada, cada braçada, cada quilômetro de asfalto. Mas a razão de ter chegado até o fim estava na esposa que abriu mão de manhãs e finais de semana sem cobrar, no irmão que transformou um presente em pacto, no treinador Balta (@baltanp) que nunca deixou a régua baixar, na equipe @newpaceassessoria que deu estrutura ao sonho, e no Marcus (@Marcuspovoa) que virou amigo no caminho.

“O sonho é de uma pessoa, mas o objetivo nunca é alcançado sozinho.”

A linha de chegada dura segundos. A jornada levou meses.
E agora ela está aqui — registrada, inteira, sua.

Chegada

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O que a jornada ensinou
A jornada até a linha de chegada foi mais transformadora do que cruzá-la. Cada treino era uma conversa comigo mesmo — sobre limites, consistência e o que eu realmente queria provar.

Valdeci Pedroso

Galeria
Percurso da corrida
Percurso do ciclismo
Companheiros
Linha de chegada
Linha de chegada
Retirada de kit
Bike Checkin
Primeira volta
Pós dia da prova

Percurso da corrida

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Esta história foi gerada a partir de
259 treinos registrados no Strava
e 8 perguntas respondidas pelo atleta.

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